Lugares comuns
Muitos
lugares com muitos lugares comuns,
eu
evito entrar.
Muitos
lugares com muitos lugares comuns,
estamos
cercados e saímos de mãos para o alto,
como se
pedíssemos misericórdia
e uma
corda extensa para escalar montes e pular sobre abismos.
Muitos
lugares
muitos
tomados, invadidos, saqueados, putrificados
impróprios
para o convívio humano,
nem
três passos sossegados, nem três tempos em silêncio
nem um
olhar que valha o dia.
Muitas
palavras em vão, muitas palavras vão e vem
muitas
que não provoquem mais que um suspiro de tédio, um cerrar de olhos
e mais
um dia se foi
Uma
coleção de dias comuns eu sigo juntando
vários
que não me lembram nem cócegas, nem ao menos um piscar de olhos
Sigo
juntando para quem quiser me auxiliar a queimá-los,
para
que deles não reste a mínima lembrança
nem um
mínimo piscar de olhos
Gotas
do oceano, folhas mortas na floresta, pedras que rolam solitárias nas
montanhas.
Nem uma
avalanche, nem uma simples tempestade
só uma
brisa esquálida repetindo três vezes três
e cada
vez sempre igual, as mesmas notas, de galho em galho, de folha em folha,
uma
estação após outra.
Muitos
lugares com pouca atração
Nenhum
singelo palhaço
ao
menos um prosaico discurso
nem
isto.
E os
cabelos embranquecem e as barrigas crescem, como era esperado.
Ivan
Henrique Roberto
4 de
julho de 1988.

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