segunda-feira, 3 de maio de 2021

Lugares comuns

 

Lugares comuns

 

Muitos lugares com muitos lugares comuns,

eu evito entrar.

Muitos lugares com muitos lugares comuns,

estamos cercados  e saímos  de mãos para o alto,

como se pedíssemos misericórdia

e uma corda extensa para escalar montes e pular sobre abismos.

 

Muitos lugares

muitos tomados, invadidos, saqueados, putrificados

impróprios para o convívio humano,

nem três passos sossegados, nem três tempos em silêncio

nem um olhar que valha o dia.

 

Muitas palavras em vão, muitas palavras vão e vem

muitas que não provoquem mais que um suspiro de tédio, um cerrar de olhos

e mais um dia se foi

 

Uma coleção de dias comuns eu sigo juntando

vários que não me lembram nem cócegas, nem ao menos um piscar de olhos

Sigo juntando para quem quiser me auxiliar a queimá-los,

para que deles não reste a mínima lembrança

nem um mínimo piscar de olhos

 

Gotas do oceano, folhas mortas na floresta, pedras que rolam solitárias nas montanhas.

Nem uma avalanche, nem uma simples tempestade

só uma brisa esquálida repetindo três vezes três

e cada vez sempre igual, as mesmas notas, de galho em galho, de folha em folha,

uma estação após outra.

 

Muitos lugares com pouca atração

Nenhum singelo palhaço

ao menos um prosaico discurso

nem isto.

 

E os cabelos embranquecem e as barrigas crescem, como era esperado.

 

 

Ivan Henrique Roberto

4 de julho de 1988.

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