“Oh não, não posso acreditar nisto. Oh
não, eles estão nos mandando embora! ”, e o lamento da Sra. Barrow ecoou pela
vizinhança. “ Após todo este tempo eles nos pedem para sair deste jeito? Nem
perguntam se podemos pagar ou não, mesmo que dobrem o aluguel! ”. “Mary, é
verdade o que estou ouvindo? ”
–
Sim, mãe, é verdade. Não se fala de outra coisa.
–
Oh não, não posso acreditar nisto! Nós nem
concordamos com isto!
–
Estou com medo, e se não tivermos lugar para ir?
Não dá para alugar nada deste padrão, com a renda que nós temos, nem em Polkland,
nem em Highchester, lugar nenhum... Fora esta estória esquisita de experiências
genéticas que estão falando.
–
Que estória é esta filha?
–
Sei lá, está correndo um boato, e isto eu soube
também no escritório, de que o dono desta Styx Enterprises tem um laboratório
secreto onde fazem experiências terríveis, e que o governo sabe, mas faz vista
grossa, porque ele foi o maior financiador das últimas campanhas eleitorais.
–
Meu deus!!! Isto é possível?
–
Olha se é possível eu não sei, mas tudo está
muito confuso e nebuloso.
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–
Tirem-os de lá até sexta-feira, ah ah ah ah ah!
Pensando bem é um bom lema para estimular meus funcionários. Eu sempre disse, e
aprendi há muito tempo, quando comecei nesta vida de empresário, que a grana
sempre ajuda a fazer bem as coisas que precisam ser feitas. O trabalho pode e
deve ser recompensador, principalmente para mim! Rá, rá , rá. É só molhar bem
molhadinha algumas mãos encaloradas e sedentas, que logo seus problemas
desaparecerão, ah que maravilha!! Bastaram algumas fotografias e 400 libras, só
400 libras, e todo aquele pedaço encardido de mundo agora é meu, todo meu! Meu
caro Mark, não esqueça do agradinho que prometi para o tabelião do Registro de
Imóveis de Harlow. Veja bem, só 400 libras, hein! Não vá desperdiçar meu suado
dinheirinho, he hehehehehehehe!!.
–
Sim, Sr. Peeble, pode deixar comigo, o Sr.
conhece a minha dedicação, não é mesmo?
–
Tenho que admitir que você até hoje jamais me
desapontou, meu caro Mark. Acho que você tem futuro. Às vezes você me lembra a
mim mesmo quando jovem. Eu sempre fui obcecado e comprometido com o meu
sucesso, ninguém podia ficar na minha frente, qualquer pequeno obstáculo era um
estímulo para ser atropelado. Todos os fatos até hoje me deram razão. Eu sou
“O” sucesso personificado, ahhh. Se tivesse nascido na antiguidade, naquele
tempo sem estas regras de civilidade e humanismo, bahhh, eu teria sido um
conquistador, um imperador, o mundo seria meu!!!
Mark ficava olhando embevecido para seu
mestre. Dizem até as más línguas que ele mantem um poster de seu adorado chefe
na parede de seu quarto, vejam só a que ponto chega a dedicação deste rapaz!
Talvez ele tivesse o interesse de subir cada vez mais na hierarquia da empresa,
ou quem sabe, num momento de extrema ousadia em seus pensamentos, ele sonhasse
em suceder ao grande patrão, que não tinha herdeiros nem descendentes, muito
menos família. “Minha família é a minha empresa” repetia aos seus interlocutores
o Sr. Peeble. Não creio que alguém tolerasse conviver intimamente com tão
respeitada figura.
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Em pouquíssimo tempo as desapropriações
começaram. Pesados caminhões, tratores, gruas, guindastes, operários, tudo se
instalara em Harlow. Com pesados investimentos, e todas as facilidades que
estes investimentos trazem,quando se trata de conseguir licenças e documentos
que facilitem as coisas para um empreendedor poderoso, a feição antiga e
acolhedora, embora um tanto insossa do subúrbio de Harlow, começou a mudar
radicalmente.
Os moradores atônitos quase não
conseguiam entender as mudanças pelas quais passava seu território. Muitos
saíram, muitos foram praticamente expulsos, e o restante assinou o tal termo de
linguagem dúbia, que prometia facilidades e garantias de contrato caso
consentissem em participar das experiências em curso, promovidas pelo instituto
Peeble Styx.

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