quinta-feira, 29 de abril de 2021

Dédalus e Prometeu

         Dédalus e Prometeus

 

 

 

Minha distância do convívio humano acentuou-se

quando roubei a personalidade das águias e dos demônios

e de todos os seres alados.

Quando fugi da realidade terrestre e construí asas

Para poder decifrar os labirintos.

 

 

Me elevei corajosamente,

Ousei majestosamente,

E me aproximo hereticamente dos deuses.

 

 

Minha visão dos tetos das casas e dos templos, dos topos de colinas

traduz minha orgulhosa arrogância.

As flechas dos arqueiros tocaram de leve a minha gloriosa engenharia.

 

 

Mas pássaros espertos não se deixam engaiolar.

 

 

Então voei muito alto e vi o mundo de cima, até me aproximar do Sol,

e o Sol derreteu a cera da máscara do meu caráter.

Na queda, num delírio, misto de dor e libertação eu vi Prometeu,

cujo crime foi a busca do conhecimento, brincando com a abutre.

 

 

Mergulhei no mar e minha consciência rodopiou e sumiu,

devorada pela fome dos espectros rotineiros.

 

 

 

                                                                       Ivan Henrique Roberto

                                                                            24.05.1983

  

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