Além
Nada do que eu falo é
novidade
Os assuntos estão a um
palmo de distância
Vários deles são
evitados
Outros são lacrados e
expurgados
Cobertos com ínfimos
disfarces
Como elefantes escondidos
na planície calva
Os tabus permanecem,
pois são importantes para a ordem social
Acho que tudo deve
ocorrer de modo que os arranjos não traiam os maestros
E as vigas não caiam
na cabeça dos engenheiros
“Mantenham a qualquer
custo todas as farsas.
Devemos divertir o
público e fazer de conta que nada de errado houve ou haverá”
As leis cuidam do bem-estar
dos exploradores
E a eterna escravidão
dos produtores
A ilusão subversiva
dos sonhadores age nos alicerces da sociedade
Martelando devagar, em
pontos vulneráveis,
Num trabalho paciente
e comovente
Consumindo horas
intermináveis de sonhos quase esquecidos
Deixando de lado todas
as dores, que são mitigadas em nome de um objetivo maior
e mais nobre
Pensar no futuro traz
um inconveniente: O de não ter certeza no prazer palpável,
Apenas a imaginação de
que daremos aos próximos o melhor que não nos deixaram ter,
E o conforto de ser
dono de uma consciência livre e autônoma,
A qual de certa forma
florescerá, antes que a aridez abundante e o medo irracional destruam
aquelas sementes.
Alguns desesperados e
outros tantos visionários e iluminados
talvez saibam ver os
sinais de mudança,
Pinçados aqui e ali,
em algum sorriso ou algum gesto repudiado hoje
Estaremos atrelados a
uma Nova Filosofia
Imersos por completo
na grande fonte de Cultura
Pensando e fazendo
Amor
Ivan Henrique Roberto
2 de outubro de 1985

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