quinta-feira, 29 de abril de 2021

O salto

 

O Salto

 

As águas plácidas forram varridas por ventos inesperados,

mas pressentidos.

Bastava ter olhado o céu ao Sul para ver tormentas se formando.

Tentei correr mas a fúria dos ventos me pegou ao relento,

Desatento, despreparado, sem botas de nenhuma légua e sem abrigo.

 

Eu estava a caminho, atarefado, com contas a acertar.

Cheio de boas intenções.

Mas o céu nublado me traiu, eu que o adorava.

Ela desabou pesado, cruel

Não meu deu chance de sorrir, respirar e correr.

 

(Fiquei com medo de usar o telefone,

apreensivo pela hora do almoço que não vinha,

Inquieto por ser o pólo de dois triângulos)

 

Logo escurece, mais eu abro os olhos, mais longe se afasta meu abrigo

Eu tentei um salto mas escorreguei.....

 

( E a noite virou um labirinto, cheio de paredes ponteagudas.

Com mãos que me evitam e olhares reprovadores)

 

                                       Ivan Henrique Roberto

                                         12 de janeiro de 1989

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