domingo, 11 de abril de 2021

 

Observando

 

 

Triste destino o nosso

Viver em rota de colisão entre um futuro correto e um passado corroído

Triste realidade a nossa, sempre viver no presente

 Recebendo golpes que pesam como pragas do Egito.

 

Como castigo recebemos cinco sentidos e uma inteligência

Como herança um senso de justiça e de moral

e a capacidade de julgar e ver que a vitória cega e é tênue, vaga, amorfa e pode ser comprada.

 

O presente é um presente que pesa nas mãos

Perturba os sentidos e renega a inteligência

Longa vida aos ignorantes, surdos e cegos.

 

Estou observando os fatos que se sucedem em cadeia

Tão lógico quanto sórdido, tão fétido quanto apreensivo

Tornando esperança em ceticismo,

Envelhecendo e apodrecendo os entes da floresta antes que maturem.

 

(Mas, seria um interlúdio?)

 

E ganhamos a estupenda (des) graça de viver sempre no presente?

 

Entre um silêncio e um grito de horror

Entre um lamento e uma gargalhada histérica

Vamos catando migalhas e surpreendendo sorrisos esparsos

Vivendo um dia após o outro (Por que não viver seis grandes dias e desaparecer um?)

Hora após hora de dias seccionados

 

Vou lendo, lendo, até ter indigestão.

Vou vendo, vendo, até ter de fechar os olhos para enxergar

Vou ouvindo, ouvindo e não gosto, fecho a cara para poder resguardar um pouco de suavidade

e gentileza para meus irmãos e irmãs

 

(So the story goes...the show must go on)

 

Campos minados nas nossas vizinhanças, campos minados

Mãos fechadas, ofensivas, palavras de negação, nunca um sim.

O não é a senha dessas prisões sem grades aparentes

Nunca vire as costas, pois logo se armam ataques desonestos

Ao sorrir tenha cuidado! Podem confundi-lo com a presa.

Darwinismo social-admitem da forma mais cínica possível

 

Essa é a sabedoria popular que passa de geração a geração, muitas vezes à força.

Essa é a lei do universo, resignam-se todos.... Ou quase todos.

 

Ondas que batem sempre com força nas pedras

Os mariscos já se acostumaram com a força das marés

E os peixes maiores, que vivem fugindo dos peixes ainda maiores e em buscas de peixes menores

Talvez o sertão tenha sempre sido o mar, a selva e o deserto migrando sempre para a cidade

E a civilização, uma mentira, uma ilusão

Mercadejada por espertos e ávidos homens de negócios,

Que casaram o oportunismo com a conivência dos ditos inocentes,

que se lambuzam com pequenas mentiras para amenizar a rotina.

 

Será a história uma lamentável piada?

Uma desculpa para dar apoio às leis da divisão?

Cada macaco no seu galho? Por que nos galhos mais fracos?

Os macacos mais espertos já desceram da árvore há muito tempo

Cortaram-na e venderam a madeira por um preço acima do valor de mercado.

Embarcaram num avião e foram para Las Vegas

Rindo muito e vivendo despreocupados.

 

 

 

Ivan Henrique Roberto

26 de outubro de 1987

 

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