Observando
Triste destino o nosso
Viver em rota de colisão entre um futuro correto e um passado
corroído
Triste realidade a nossa, sempre viver no presente
Recebendo golpes que
pesam como pragas do Egito.
Como castigo recebemos cinco sentidos e uma inteligência
Como herança um senso de justiça e de moral
e a capacidade de julgar e ver que a vitória cega e é tênue,
vaga, amorfa e pode ser comprada.
O presente é um presente que pesa nas mãos
Perturba os sentidos e renega a inteligência
Longa vida aos ignorantes, surdos e cegos.
Estou observando os fatos que se sucedem em cadeia
Tão lógico quanto sórdido, tão fétido quanto apreensivo
Tornando esperança em ceticismo,
Envelhecendo e apodrecendo os entes da floresta antes que
maturem.
(Mas, seria um interlúdio?)
E ganhamos a estupenda (des) graça de viver sempre no
presente?
Entre um silêncio e um grito de horror
Entre um lamento e uma gargalhada histérica
Vamos catando migalhas e surpreendendo sorrisos esparsos
Vivendo um dia após o outro (Por que não viver seis grandes
dias e desaparecer um?)
Hora após hora de dias seccionados
Vou lendo, lendo, até ter indigestão.
Vou vendo, vendo, até ter de fechar os olhos para enxergar
Vou ouvindo, ouvindo e não gosto, fecho a cara para poder
resguardar um pouco de suavidade
e gentileza para meus irmãos e irmãs
(So the story goes...the show must go on)
Campos minados nas nossas vizinhanças, campos minados
Mãos fechadas, ofensivas, palavras de negação, nunca um sim.
O não é a senha dessas prisões sem grades aparentes
Nunca vire as costas, pois logo se armam ataques desonestos
Ao sorrir tenha cuidado! Podem confundi-lo com a presa.
Darwinismo social-admitem da forma mais cínica possível
Essa é a sabedoria popular que passa de geração a geração,
muitas vezes à força.
Essa é a lei do universo, resignam-se todos.... Ou quase
todos.
Ondas que batem sempre com força nas pedras
Os mariscos já se acostumaram com a força das marés
E os peixes maiores, que vivem fugindo dos peixes ainda maiores
e em buscas de peixes menores
Talvez o sertão tenha sempre sido o mar, a selva e o deserto
migrando sempre para a cidade
E a civilização, uma mentira, uma ilusão
Mercadejada por espertos e ávidos homens de negócios,
Que casaram o oportunismo com a conivência dos ditos
inocentes,
que se lambuzam com pequenas mentiras para amenizar a rotina.
Será a história uma lamentável piada?
Uma desculpa para dar apoio às leis da divisão?
Cada macaco no seu galho? Por que nos galhos mais fracos?
Os macacos mais espertos já desceram da árvore há muito tempo
Cortaram-na e venderam a madeira por um preço acima do valor
de mercado.
Embarcaram num avião e foram para Las Vegas
Rindo muito e vivendo despreocupados.
Ivan Henrique Roberto
26 de outubro de 1987

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