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O alerta chegou como um choque que abalou
o palácio da calma. Aquele estado de sono dos justos, dos que não devem mais
nada, foi interrompido com frieza. Seus olhos fechados foram abertos pela
urgência da mensagem. Ele se volta e vê com apreensão ao longe, (ou perto, não
se pode ter certeza das distâncias neste território) a porta que volta, agora
em fúria ígnea, acompanhada da chuva de gotas. A respiração acelera.
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Ele quer flutuar de novo, mas não
consegue. As paredes do palácio da calma parecem descer e se aproximar para
imprensá-lo. Um peso insuportável surgiu assim para convencê-lo que, não
importa onde ou de que maneira, se você deseja ficar num estado de paz e
tranquilidade, isto não é possível, isto não está permitido. E se não está
permitido, está proibido, portanto um empuxo violento não se sabe partindo do
que o lança numa espiral veloz em direção à quarta porta, contra sua vontade.
Há uma turbulência crescente, um tremor incontrolável, um medo que até então
não se apresentara. Parece mais uma reentrada na atmosfera terrestre, onde a
pressão aumenta e a rarefação diminui, diminui, diminui... E a quarta porta
chega finalmente.
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-Acorde, acorde!
Com veemência a Grã Sacerdotisa o sacode, pois, sua respiração estava muito
intensa e entrecortada, e seu batimento cardíaco estava muito acelerado,
criando preocupação para o trio condutor da cerimônia. Osíris, de forma mais
evidente, demonstrava mais desconforto com o estado de seu colega-convidado,
agora já não mais tão despreparado. Ou não?
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Oliveira se recolheu ao chão numa posição
fetal, semiacordado. Ainda ofegante, ele mal consegue dizer qualquer coisa. Os
olhos piscam e os lábios tremem, e ele está encharcado de suor. Uma paralisia
toma conta de seus membros. A repetição da experiência foi recheada de
novidades. Cada vez é uma viagem diferente, onde se conhece a entrada, mas
nunca a saída.
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Uma análise acurada de sua mente,
partindo do ponto 'a', o ponto “a” sendo a descoberta deste mundo, e o ponto
“b”, sendo o agora, mostra-nos uma evolução. Aquele homem tolhido, de curto
alcance mental agora estava no chão, contorcido como um elástico no momento
anterior ao disparo. A carga derramada em sua mente e em seu entendimento havia
sido intensa. Para muitas pessoas seria suficiente para terminar seus dias num
estado catatônico.
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“ _ Eu quero
voltar”, ele disse. “Há um trabalho em andamento. Eu não posso parar agora. Falta
a quinta porta. Onde está a quinta porta? O olho agora está do meu lado. A
leveza é tão boa!”. Este discurso desarticulado jorrava de sua boca antes mesmo
de se levantar do chão. O trio condutor da cerimônia, formando um triângulo ao
redor dele, olhava com atenção para o mesmo homem que havia chegado com
desconfiança e desdém na primeira vez. Uma grande mudança, inesperado até para
quem ao longo dos anos acompanhou um sem número de iniciantes que passaram
pelas mesmas provas, e que regressaram modificados sem dúvida, mas ao longo de
um trajeto gradual. Tudo nele estava sendo muito urgente e muito brusco.
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“- Eu quero beber
de novo, eu quero voltar... para lixar a pedra que eu fui. Eu preciso voltar
para o segundo plano. É isso, a pedra sou eu. Eu estou enxergando melhor agora.
Eu vi. Eu quero voltar”
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O alerta chegou como um choque que abalou
o palácio da calma. Aquele estado de sono dos justos, dos que não devem mais
nada, foi interrompido com frieza. Seus olhos fechados foram abertos pela
urgência da mensagem. Ele se volta e vê com apreensão ao longe, (ou perto, não
se pode ter certeza das distâncias neste território) a porta que volta, agora
em fúria ígnea, acompanhada da chuva de gotas. A respiração acelera.
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Ele quer flutuar de novo, mas não
consegue. As paredes do palácio da calma parecem descer e se aproximar para
imprensá-lo. Um peso insuportável surgiu assim para convencê-lo que, não
importa onde ou de que maneira, se você deseja ficar num estado de paz e
tranquilidade, isto não é possível, isto não está permitido. E se não está
permitido, está proibido, portanto um empuxo violento não se sabe partindo do
que o lança numa espiral veloz em direção à quarta porta, contra sua vontade.
Há uma turbulência crescente, um tremor incontrolável, um medo que até então
não se apresentara. Parece mais uma reentrada na atmosfera terrestre, onde a
pressão aumenta e a rarefação diminui, diminui, diminui... E a quarta porta
chega finalmente.
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-Acorde, acorde!
Com veemência a Grã Sacerdotisa o sacode, pois, sua respiração estava muito
intensa e entrecortada, e seu batimento cardíaco estava muito acelerado,
criando preocupação para o trio condutor da cerimônia. Osíris, de forma mais
evidente, demonstrava mais desconforto com o estado de seu colega-convidado,
agora já não mais tão despreparado. Ou não?
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Oliveira se recolheu ao chão numa posição
fetal, semiacordado. Ainda ofegante, ele mal consegue dizer qualquer coisa. Os
olhos piscam e os lábios tremem, e ele está encharcado de suor. Uma paralisia
toma conta de seus membros. A repetição da experiência foi recheada de
novidades. Cada vez é uma viagem diferente, onde se conhece a entrada, mas
nunca a saída.
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Uma análise acurada de sua mente,
partindo do ponto 'a', o ponto “a” sendo a descoberta deste mundo, e o ponto
“b”, sendo o agora, mostra-nos uma evolução. Aquele homem tolhido, de curto
alcance mental agora estava no chão, contorcido como um elástico no momento
anterior ao disparo. A carga derramada em sua mente e em seu entendimento havia
sido intensa. Para muitas pessoas seria suficiente para terminar seus dias num
estado catatônico.
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“ _ Eu quero
voltar”, ele disse. “Há um trabalho em andamento. Eu não posso parar agora. Falta
a quinta porta. Onde está a quinta porta? O olho agora está do meu lado. A
leveza é tão boa!”. Este discurso desarticulado jorrava de sua boca antes mesmo
de se levantar do chão. O trio condutor da cerimônia, formando um triângulo ao
redor dele, olhava com atenção para o mesmo homem que havia chegado com
desconfiança e desdém na primeira vez. Uma grande mudança, inesperado até para
quem ao longo dos anos acompanhou um sem número de iniciantes que passaram
pelas mesmas provas, e que regressaram modificados sem dúvida, mas ao longo de
um trajeto gradual. Tudo nele estava sendo muito urgente e muito brusco.
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“- Eu quero beber
de novo, eu quero voltar... para lixar a pedra que eu fui. Eu preciso voltar
para o segundo plano. É isso, a pedra sou eu. Eu estou enxergando melhor agora.
Eu vi. Eu quero voltar” “- Por hoje é só. ” E as palavras
definitivas da Grã Sacerdotisa, tal como um tapa ou uma bebida forte
restauraram a lucidez do pobre homem. Qual o poder daquela voz?
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“-Venha, levante-se. Siga-me até seu carro.
Você precisa de um descanso agora. ” Disse Osíris.
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E então a segunda experiência de Oliveira
termina por hoje. Os demais participantes já haviam se retirado, o fogo ardia
fraco e as brasas quase se apagavam, como se estivessem em sincronia com a
duração da cerimônia. O céu sisudo vestido de nuvens grossas indicava um dia
cinzento por nascer. A paz mantida naquele território estava em contradição com
a respiração ainda alterada e o coração apreensivo do pobre homem em
transformação. Osíris o carregava pelo braço, pelo caminho até o automóvel. Ao
chegar certificou-se se o motorista conduziria em segurança, pois muitos
quilômetros separavam o sítio da casa de Oliveira, e o estado dele inspirava
alguma atenção.
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“
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_Não se preocupe,
eu já estou desperto. Há algo nesta mulher que me intriga”. E se foi.
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O processo de transformação já estava em
andamento e isso incluía uma incompatibilidade crescente com o trabalho e os
demais aspectos da vida prática. A semana seguinte ao segundo encontro foi por
demais penosa para ele. Ainda de licença, mas com a cabeça já em outro ponto,
ele se debateu entre as lembranças, ou melhor, entre as sensações que
impregnaram todo seu corpo e já não se apagavam, muito pelo contrário, a todo
momento novas sensações afloravam, inoculadas durante o ritual. Trancado em
casa, ele que sempre fora avesso ao devaneio, se entregara de forma quase
obsessiva à coleta e catalogação, se assim podemos dizer, das memórias
embebidas em Mayaszolote. Uma mistura de nuvens, lágrimas, luzes, portas e
formas, cores e sons intraduzíveis eram transpostas em folhas de papel, na
forma de garranchos, sinais gráficos, borrões, palavras soltas, desenhos toscos
(uma vez que ele nunca tivera o mínimo pendor para isso), em setas e retas,
curvas e círculos imperfeitos. Desligara o telefone, não ligara mais a
televisão nem o rádio, parecia um eremita num apartamento de um edifício. Duas
semanas neste jejum.
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No final da segunda semana toca o interfone:
“Sr. Oliveira, está na portaria o Sr. Osíris, posso deixar subir?” Alguns
segundos de hesitação e silêncio seguidos por um “Sim, pode deixar”.
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Osíris fica surpreso e muito impressionado
com o aspecto do colega antes tão polido e civilizado. Cabelo grande,
despenteado, sujo, barba enorme, roupa imunda e um olhar assustador.
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-
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- Osíris, que bom
que veio! Tenho tantas coisas para perguntar. Quando poderei ver a sacerdotisa
de novo? Quando teremos outra cerimônia? Que tem naquela bebida? Veja, veja...
meus escritos, minhas lembranças, veja. Eu estou criando um método para
descrever o mundo que eu vi. Leia, talvez eu precise explicar melhor, ainda
está tosco, mas eu estou aprimorando. Como poderia chamar? É difícil colocar em
palavras. E as cores, as cores! Havia rostos estranhos também, havia muita coisa.
Havia uma paz enorme e eu não queria sair de lá. E o olhar que me acompanha.
Sabe, uma vez quando era criança eu vi uma velha na praia e ela me olhou de um
jeito muito estranho que eu nunca esqueci. E sonhei muitas vezes com a cena.
Agora eu sei que era um ritual de magia. Agora eu entendo, eu entendo muita
coisa. O meu medo vem daí, agora eu sei. Eu sei, eu sei!. Osíris procura acalmar Oliveira. Uma
torrente de palavras, uma descarga verbal, uma avalanche é o que sai de sua
boca, da boca daquele ser eufórico e transtornado. Osíris sabe que tem sua
quota de responsabilidade nesta situação. Teria avaliado assim tão mal o
colega? Não poderia saber, é óbvio, o
quão sensível ele era. Apenas dois copos, dois copos. Ou talvez ele fosse uma
represa cheia até o topo, com rachaduras invisíveis. Qualquer peteleco
produziria o mesmo efeito. Mas, enfim, eis aí o seu discípulo. Uma pedra bruta.

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