domingo, 24 de setembro de 2017

A cerimônia (capítulo 5)

Seria no sábado seguinte a partir das 19 horas. A lua cheia estaria em plena visibilidade. Um momento muito esperado pela ordem. Osíris guardava uma grande expectativa pela presença daquele colega tão reticente e descrente de tudo. Ele também ficara em dúvida porque havia convidado alguém que mal conhecia, não conseguiu achar para si mesmo uma explicação plausível, ainda mais envolvendo um grupo muito fechado. A ignorância e preconceito generalizado da população em geral costuma trazer desconfiança e hostilidade para eventos pouco entendidos. Quem sabe ele estaria fazendo proselitismo? Pescando peixes para o cardume? Se convencendo do próprio poder de convencimento?

      O sábado chegou com Sol pleno e temperatura agradável. Os preparativos para a cerimônia já haviam começado na quinta-feira com a limpeza e montagem das estruturas necessárias. Tudo estaria pronto no momento certo. O rigor e a disciplina eram questões de honra naquele grupo. Sempre eram recebidos novos membros, poucos, mas convictos após as tarefas de iniciação e aprendizado. Osíris já era um membro antigo e muito inteirado da estrutura e hierarquia estabelecida.

       Por volta das 18:30h os primeiros participantes começaram a chegar, entre eles Osíris, muito ansioso pela presença ou não de seu convidado. Cumprimentou a todos, circulou pelo ambiente para se certificar que tudo estava em ordem. Um clima de muita paz e congraçamento vestia aquela terra e aquelas árvores. Só estando lá, e sendo receptivo, para perceber a energia que emanava do solo. A lua cheia alta no céu era testemunha muda e impávida da celebração prestes a ser iniciada. Às 18:55 chega Oliveira. Ressabiado e deslocado, procurando por Osíris, seu ponto de referência. Este logo o localiza e faz as honras da casa.
S

eja bem vindo à Ordem. Eu lhe recebo em paz e de bom grado.

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