|
|
A última frase foi dita acompanhada
de um sorriso amistoso e ao mesmo tempo distante. Oliveira se sentia como aquela criança rodeada de
pessoas desconhecidas, sendo resgatado por seu pai de olhar severo e tenso.
Osíris tomou-o pelo braço e o levou ao local reservado aos iniciantes. Com o
coração acalmado ele sentou-se nas almofadas preparadas com todo o cuidado para
receber os novos interessados, e os que voltavam por uma segunda vez.
|
|
A cerimônia começou às 19:30min. Um
grande gongo soou e vários incensórios foram acesos. Os participantes formando
círculos de 7 pessoas respiravam compassadamente e recitavam frases em
uníssono, com voz baixa e ritmada.
Vários archotes já iluminavam o território, e as chamas ondulantes
formavam uma moldura de luz espectral, porém muito confortável à vista. Uma
música suave preenchia o ar já impregnado com o aroma sutil dos incensos. O
volume não atrapalhava o andamento das recitações. Por sobre todos, a Lua não
poderia estar mais linda nesta noite, branca e redonda, com sua pele velha das
eras incontáveis, morta mas ativa ao mesmo tempo, dardejando raios de uma luz
pura furtada do Sol.
|
|
O grande gongo soou pela segunda vez e os
iniciados entrelaçavam suas mãos, formando redes de sete em sete, sentados na
grama em contato direto com o solo e suas emanações. Deu-se início a um canto
sussurrado, acompanhando pela música, agora um grau acima do tema inicial, uma
música circular, quase uma espiral, quase uma hipnose. O vento suave combinava
com a música, como se fosse controlado por forças desconhecidas, acariciando a
todos os afortunados que partilhavam deste momento tão ímpar.
|
|
A Grã Sacerdotisa acompanhava tudo em
silêncio respeitoso. Seus olhos atentos e profundos mantinham vigilância sobre
seu território. Seus segundos sacerdotes auxiliavam na condução da cerimônia,
ciosos de que tudo corresse em paz. Nada que contradissesse a intenção inicial
e principal desta ordem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário