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- Oliveira, me
escute por um momento. Eu vim ver o seu progresso. Mas tenha calma. Estas
coisas levam tempo, não queira acelerar demais sem freios fortes o bastante
para parar no tempo certo. Não desperte o dragão antes de se fortalecer,
lembre-se do que eu disse. Vejo o seu esforço para tornar a “loucura” num
método. Tudo isto é novo para você, não? Também foi novidade para mim um dia.
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-Sim , tudo é
novo para mim, é como se eu tivesse nascido agora. Me sinto desperto. Como
posso fazer parte disto?
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-
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-Estudando,
praticando, cumprindo tarefas, fazendo o bem acima de tudo.
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Sem dúvida. E a
sacerdotisa, quando poderei vê-la de novo?
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Não confunda as
coisas
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Confundir o quê?
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Ela é uma bela
mulher, mas não vá por este caminho.
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-
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Há algo mais do
que beleza nela.
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-
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-Ah, com certeza
há, e muito. Ouça, você já foi duas vezes. Porém, a terceira vez é o ponto de
ruptura, é a prova final. Só então saberemos se você conseguirá sobreviver.
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-
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Sobreviver? Agora
você me assustou.
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Sim, sobreviver.
Fato.
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S
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ó que... eu sinto
que não há mais volta. Estou certo em pensar assim?
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P
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erfeitamente. É a
quinta porta. Você sente que precisa abrir e passar da quinta porta, não?
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S
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into.
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F
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alta pouco agora.
Mas antes, vá cuidar da aparência.
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E estalou os dedos na frente dos olhos de
Oliveira. Um pequeno susto que serviu como um despertador. O outro se virou e
se viu em frente a um espelho na sala. Tomou um choque com o que viu. Se saísse
assim na rua é possível que ganhasse uns trocados de piedade. Osíris saiu em seguida e Oliveira entrou no
banheiro para um barbear urgente e uma ducha morna. Mais tarde colocou a casa
em ordem, as roupas, as contas, se alimentou direito, ligou para o trabalho
para se inteirar de sua situação. E se sentiu satisfeito e mais forte.
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É possível uma pessoa mudar assim tão
radicalmente? Eu tenho minhas dúvidas pois a maturidade de certa forma pode enrijecer
certas posturas, pode endurecer os membros e deixar uma pessoa inflexível. No
lugar de um bambu um poste, e em certos momentos os fios deste poste caem e
ficam desligados. A maturidade pode também ser uma desculpa para deixar crescer
de vez a erva daninha que sempre teimou em dominar, mas que era podada de
tempos em tempos para manter uma imagem mais moderna e arrojada, ainda que
falsa. Aquele jardim aparente no fundo era um pântano envenenado, com água
pútrida e restos em decomposição. O mal cheiro era ocultado com muito perfume
caro. Até que a pintura descasque e as rachaduras aumentem de espessura, e
então a construção desaba e o rosto verdadeiro aparece.
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Só que Oliveira está se descobrindo aos
poucos. Terá usado, quem sabe, por todo este tempo uma armadura polida,
lustrada com esmero para dar brilho, mas sem óleo suficiente entre as juntas
para mover os braços, pernas e cabeça, principalmente a cabeça, com
naturalidade. São tantas as obrigações, convenções, mandamentos, regras,
regulamentos, comportamentos admitidos, horários, padrões, medidas certas,
cores combinantes, frases feitas e lugares comuns, que pouco do tempo sobra
para se olhar no espelho interior, e se perguntar se “era assim mesmo que você
queria? ”. Seria justo dar mais tempo para ele, pobre coitado, quase vítima de
uma mudança tão brusca que poucos, muito poucos saberiam lidar e sair desta
armadilha de forma positiva. É normal ele ficar tão confuso e eufórico ao mesmo
tempo. Tudo é novo para ele, em tão pouco tempo. Sua mente cresceu e não cabe
mais em sua cabeça. Por certo este é o melhor diagnóstico neste momento.

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