domingo, 24 de setembro de 2017

A cerimônia (capítulo 6)

. Eu lhe recebo em paz e de bom grado.
A
h, obrigado
E
stamos esperando somente a chegada da Grã Sacerdotisa para começar .
G
rã o que?
A
 Grã Sacerdotisa. Nossa ordem é regida por uma mulher.
Q
ue estranho!
N
ós somos muito igualitários. Não há distinção de gênero.
C
omo eu devo me portar? Há algum roteiro escrito? Eu estou meio nervoso, tem muita gente aqui.
O
lha, somente acompanhe a cerimônia.. Não é difícil. Eu não poderei ficar à seu lado, pois eu exerço funções que me obrigam a ficar ao lado da Grã Sacerdotisa durante parte do ritual. Mas pode perguntar a qualquer outro membro, pois todos terão  prazer em lhe ajudar.
Q
uer dizer então que você é importante aqui?
S
im, eu sou veterano e galguei vários degraus na hierarquia.
E
 a tal bebida?
E
la é servida na primeira parte do ritual.
E
u terei de beber?
S
ó se você quiser. Você veio como convidado e observador. Não é obrigado a nada.
H
ummmm, ainda não sei. Sabe como é, eu tenho receio, mas também, parece absurdo, sou curioso, sabe? Parece uma pulga que fica picando o tempo inteiro, “e se, e se, e se ?”
E
ntendo, é normal, faz parte do ser humano. O desconhecido é um ente poderoso na mente da humanidade. Amedronta, eu sei, mas instiga. Por isso nós evoluímos, por isso atravessamos oceanos e cordilheiras. Por isso queremos olhar mais longe e mais perto, tão perto que chegamos no mais ínfimo, no limiar do visível. O limiar do visível leva ao invisível, aquele lugar que não sabemos. Só a imaginação pode nos guiar nestes caminhos impensados. Eis uma sugestão importante para hoje: libere sua imaginação.
I
maginação não é o meu forte. Como eu te disse eu gosto das coisas certas, tudo preto no branco.
I
maginação é uma ferramenta poderosa. Ela pode salvar. Guarde isto como um talismã.
T
á certo, tá certo. Eu sou seu convidado. Prometo me comportar.
L
embre-se que está no meio de amigos.


      A Grã Sacerdotisa chegou às 19:17h. E todos a reverenciaram. Ela distribuía sorrisos e afagos até chegar ao altar, ou algo parecido, segundo à percepção de Oliveira. Ele ficou impressionado com a beleza daquela mulher. Tinha entre 45 e 50 anos e um rosto com traços marcantes, como se esculpidos por algum artista muito inspirado, quase encantado. Boquiaberto, a partir de então ele começou a olhar aquele ambiente estranho com outros olhos. No caminho até o centro da cerimônia, em meio àquela pequena multidão, num determinado ponto a sacerdotisa se virou e olhou direto para Oliveira. Ele ficou paralisado. Numa fração de segundo ele se lembrou de um olhar parecido, numa lembrança que remontava a sua infância, na praia numa noite de 31 de dezembro, longe no tempo.

        Ele, que começava a ficar interessado no encontro, de repente ficou desanimado e confuso. O olhar penetrante e inquisitório daquela linda mulher tinha o estranho poder de desnudar o interlocutor, não de tirar suas roupas mas de tirar as máscaras que porventura obscureçam as reais intenções. Não havia como mentir ou falsear naquele território. Osíris, muito perspicaz, logo percebeu e serviu de ponte entre os dois.
_
- Grã Sacerdotisa, este é o convidado que havia mencionado. Ele tomou coragem e veio em nosso encontro.
E
u pude perceber que tínhamos estranhos entre nós. Você preparou o caminhou para ele ?
S
im, tivemos uma longa conversa e o coloquei ciente de nossas intenções.
Q

ue seja bem vindo então!

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