. Eu lhe recebo
em paz e de bom grado.
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A
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h, obrigado
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E
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stamos esperando
somente a chegada da Grã Sacerdotisa para começar .
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G
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rã o que?
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A
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Grã Sacerdotisa. Nossa ordem é regida por uma
mulher.
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Q
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ue estranho!
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N
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ós somos muito
igualitários. Não há distinção de gênero.
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C
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omo eu devo me
portar? Há algum roteiro escrito? Eu estou meio nervoso, tem muita gente aqui.
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O
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lha, somente
acompanhe a cerimônia.. Não é difícil. Eu não poderei ficar à seu lado, pois eu
exerço funções que me obrigam a ficar ao lado da Grã Sacerdotisa durante parte
do ritual. Mas pode perguntar a qualquer outro membro, pois todos terão prazer em lhe ajudar.
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Q
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uer dizer então
que você é importante aqui?
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S
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im, eu sou
veterano e galguei vários degraus na hierarquia.
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E
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a tal bebida?
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E
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la é servida na
primeira parte do ritual.
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E
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u terei de beber?
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S
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ó se você quiser.
Você veio como convidado e observador. Não é obrigado a nada.
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H
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ummmm, ainda não
sei. Sabe como é, eu tenho receio, mas também, parece absurdo, sou curioso,
sabe? Parece uma pulga que fica picando o tempo inteiro, “e se, e se, e se ?”
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E
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ntendo, é normal,
faz parte do ser humano. O desconhecido é um ente poderoso na mente da
humanidade. Amedronta, eu sei, mas instiga. Por isso nós evoluímos, por isso
atravessamos oceanos e cordilheiras. Por isso queremos olhar mais longe e mais
perto, tão perto que chegamos no mais ínfimo, no limiar do visível. O limiar do
visível leva ao invisível, aquele lugar que não sabemos. Só a imaginação pode
nos guiar nestes caminhos impensados. Eis uma sugestão importante para hoje:
libere sua imaginação.
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I
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maginação não é o
meu forte. Como eu te disse eu gosto das coisas certas, tudo preto no branco.
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I
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maginação é uma
ferramenta poderosa. Ela pode salvar. Guarde isto como um talismã.
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T
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á certo, tá
certo. Eu sou seu convidado. Prometo me comportar.
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L
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embre-se que está
no meio de amigos.
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A Grã Sacerdotisa chegou às 19:17h. E
todos a reverenciaram. Ela distribuía sorrisos e afagos até chegar ao altar, ou
algo parecido, segundo à percepção de Oliveira. Ele ficou impressionado com a
beleza daquela mulher. Tinha entre 45 e 50 anos e um rosto com traços
marcantes, como se esculpidos por algum artista muito inspirado, quase
encantado. Boquiaberto, a partir de então ele começou a olhar aquele ambiente
estranho com outros olhos. No caminho até o centro da cerimônia, em meio àquela
pequena multidão, num determinado ponto a sacerdotisa se virou e olhou direto
para Oliveira. Ele ficou paralisado. Numa fração de segundo ele se lembrou de
um olhar parecido, numa lembrança que remontava a sua infância, na praia numa
noite de 31 de dezembro, longe no tempo.
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Ele, que começava a ficar interessado
no encontro, de repente ficou desanimado e confuso. O olhar penetrante e
inquisitório daquela linda mulher tinha o estranho poder de desnudar o
interlocutor, não de tirar suas roupas mas de tirar as máscaras que porventura
obscureçam as reais intenções. Não havia como mentir ou falsear naquele
território. Osíris, muito perspicaz, logo percebeu e serviu de ponte entre os
dois.
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_
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- Grã
Sacerdotisa, este é o convidado que havia mencionado. Ele tomou coragem e veio
em nosso encontro.
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E
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u pude perceber
que tínhamos estranhos entre nós. Você preparou o caminhou para ele ?
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S
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im, tivemos uma
longa conversa e o coloquei ciente de nossas intenções.
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Q
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ue seja bem vindo
então!

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