Oliveira andou em direção à porta com Osíris
sem entender por que o outro achara que era uma piada.
A semana passou dentro do que se espera de
uma semana rotineira. A única diferença é que Oliveira não esqueceu da conversa
com Osíris. Estranhou nunca ter conversado antes com este colega, e justamente
quando conversaram o assunto havia sido tão improvável e delicado, para ele.
Podiam ter falado de futebol, cinema, mulheres; mas não. A conversa foi como um
alçapão que o tivesse jogado num porão escuro. Era assim como ele estava
sentindo-se, mas não conseguia entender o motivo. Vasculhar as profundezas não
era seu forte.
“Ordem secreta, ora essa ! Eu é que
não vou me meter nisso! Essas ordens são de adoradores do demônio. Mas o Osíris
não parece adorar o Mal. Ele é um cara tão discreto, não parece fazer mal nem
para um mosquito. Sei lá! Bom, o que é que custa, ele falou que era só uma
festa com danças e músicas. Já sei, vou com meu carro e se não estiver gostando
eu pulo fora. Mas, por que aceitar? Eu mal conheço ele, ele mal me conhece, por
que me convidou? Isso não faz sentido. Eu vou dizer não. Espera aí, eu nem
preciso dizer não. Acho que ele nem lembra que me convidou. Se bem que ele
agora está me cumprimentando mais vezes. Sei lá, por que não? Nunca foi numa coisa dessas, pode até ser divertido.
Será que tem mulheres bonitas? Sei não, aquelas que eu vi na loja eram bem
esquisitas! Ora, não tenho compromisso mesmo!
É, acho que vou. Acho que vai ser no mínimo curioso”.
Após tantas considerações, hesitações e
senões, finalmente Oliveira resolveu aceitar o convite para a tal festa daquela
gente esquisita. No dia seguinte ele cumprimentou Osíris e na conversa informou
ao colega que gostaria de participar da tal cerimônia.
–
Ok Osíris eu pensei muito a respeito e gostaria
de participar daquela festa que você me falou outro dia na livraria.
–
Ah sem dúvida. Acho que você vai gostar. É uma
festa muito tranquila, sem bagunça, sem gritaria e sem bebedeira. O detalhe
mais importante que eu tenho para lhe dizer é que se costuma ingerir uma bebida
um pouco diferente.
–
Que bebida? Olha, eu não gosto de beber, eu não
suporte álcool. Eu não gosto de ficar tonto e não saber onde estou...
–
Não , não se assuste. Como eu disse não fazemos
bebedeiras, nem badernas. A bebida que eu mencionei é uma beberagem feita com
uma raiz de planta. Chamamos de “Mayaszolote”. É uma planta sagrada e mística.
É uma planta ancestral que sempre foi usada em rituais.
–
Eu sei! É como aquele Santo Daime. Já ouvi
falar.
–
Bem, é parecido. O processo é quase igual, só
difere no caráter religioso. E na quantidade de gente. Nosso grupo é pequeno.
Não sei se você sabe, mas durante toda a história sempre houve o uso de plantas
nos rituais religiosos, seja entre os indígenas, entre os povos do Oriente
Médio, na África, entre os celtas, os gregos. Plantas cujo efeito facilitavam o
contato com o divino. Os xamãs utilizam e hoje em dia vários grupos neopagãos
usam.
–
Espera aí, eu agora fiquei confuso. Eu não
acredito nisso e não gosto de me sentir fora da realidade.
-Não, mas você não vai experimentar nada
na primeira vez. A menos que queira. Mas eu te garanto que é
tranquilo.
–
Tudo bem. Então me passe o endereço e me diga
como chego neste sítio
–
Sim
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Então o endereço foi anotado e as
instruções para chegar
ao tal local ficaram claras para o convidado.

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