sábado, 23 de setembro de 2017

A cerimônia (capítulo 4)

  Oliveira andou em direção à porta com Osíris sem entender por que o outro achara que era uma piada.
     A semana passou dentro do que se espera de uma semana rotineira. A única diferença é que Oliveira não esqueceu da conversa com Osíris. Estranhou nunca ter conversado antes com este colega, e justamente quando conversaram o assunto havia sido tão improvável e delicado, para ele. Podiam ter falado de futebol, cinema, mulheres; mas não. A conversa foi como um alçapão que o tivesse jogado num porão escuro. Era assim como ele estava sentindo-se, mas não conseguia entender o motivo. Vasculhar as profundezas não era seu forte.
         “Ordem secreta, ora essa ! Eu é que não vou me meter nisso! Essas ordens são de adoradores do demônio. Mas o Osíris não parece adorar o Mal. Ele é um cara tão discreto, não parece fazer mal nem para um mosquito. Sei lá! Bom, o que é que custa, ele falou que era só uma festa com danças e músicas. Já sei, vou com meu carro e se não estiver gostando eu pulo fora. Mas, por que aceitar? Eu mal conheço ele, ele mal me conhece, por que me convidou? Isso não faz sentido. Eu vou dizer não. Espera aí, eu nem preciso dizer não. Acho que ele nem lembra que me convidou. Se bem que ele agora está me cumprimentando mais vezes. Sei lá, por que não? Nunca foi  numa coisa dessas, pode até ser divertido. Será que tem mulheres bonitas? Sei não, aquelas que eu vi na loja eram bem esquisitas! Ora, não tenho compromisso mesmo!  É, acho que vou. Acho que vai ser no mínimo curioso”.
      Após tantas considerações, hesitações e senões, finalmente Oliveira resolveu aceitar o convite para a tal festa daquela gente esquisita. No dia seguinte ele cumprimentou Osíris e na conversa informou ao colega que gostaria de participar da tal cerimônia.
        Ok Osíris eu pensei muito a respeito e gostaria de participar daquela festa que você me falou outro dia na livraria.
        Ah sem dúvida. Acho que você vai gostar. É uma festa muito tranquila, sem bagunça, sem gritaria e sem bebedeira. O detalhe mais importante que eu tenho para lhe dizer é que se costuma ingerir uma bebida um pouco diferente.
        Que bebida? Olha, eu não gosto de beber, eu não suporte álcool. Eu não gosto de ficar tonto e não saber onde estou...
        Não , não se assuste. Como eu disse não fazemos bebedeiras, nem badernas. A bebida que eu mencionei é uma beberagem feita com uma raiz de planta. Chamamos de “Mayaszolote”. É uma planta sagrada e mística. É uma planta ancestral que sempre foi usada em rituais.
        Eu sei! É como aquele Santo Daime. Já ouvi falar.
        Bem, é parecido. O processo é quase igual, só difere no caráter religioso. E na quantidade de gente. Nosso grupo é pequeno. Não sei se você sabe, mas durante toda a história sempre houve o uso de plantas nos rituais religiosos, seja entre os indígenas, entre os povos do Oriente Médio, na África, entre os celtas, os gregos. Plantas cujo efeito facilitavam o contato com o divino. Os xamãs utilizam e hoje em dia vários grupos neopagãos usam.
        Espera aí, eu agora fiquei confuso. Eu não acredito nisso e não gosto de me sentir fora da realidade.
      -Não, mas você não vai experimentar nada na primeira vez. A menos que queira. Mas eu te                          garanto que é tranquilo.
        Tudo bem. Então me passe o endereço e me diga como chego neste sítio
        Sim

    Então o endereço foi anotado e as instruções para chegar ao tal local ficaram claras para o convidado.
 


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